quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Parafraseando, proseando e reescrevendo Jacob Dylan

Metáforas dessa vidinha:

Qual a grande metáfora da Cinderela?... Ela tem um tempo e uma hora determinada para ser feliz. E a “felicidade” é que a persegue utopicamente a partir de uma pista deixada por ela mesma... Ou ainda: Ela vai pra festa, se fode, dá tudo errado, mas ela volta pra casa mesmo com um só sapatinho. Que nem a gente - que se fode dia a após dia, mas aguenta e volta pra casa, ainda que seja com apenas um farol...

E a metáfora de um desfile, daqueles de 7 de setembro, ou os tradicionais americanos? Todos caminhando para o mesmo lugar, com o mesmo propósito e vestindo as mesmas fantasias...


Há muito tempo, eu nem me lembro quando, foi quando eles me disseram que perdi minha única amiga. Disseram que ela morreu por uma doença de coração partido, ou pelo menos foi o que ouvi entre as árvores do cemitério.

Eu vi o sol surgir sobre o funeral ao amanhecer. O longo braço da lei humana é deficiente e isso sempre me pareceu um enorme desperdício. Ela sempre teve um rosto lindo... Eu me intrigo com o fato de que ela ainda estava vagando nesse mundo.

           Ei, vamos, tente um pouco! Nada é para sempre! Deve haver algo melhor do que o meio termo. Mas eu e a Cinderela, a gente agüenta!... Conseguimos chegar em casa com apenas um farol.

Ela disse "Está frio, parece com o dia da independência e eu não consigo sair desse “desfile”. Mas deve haver uma saída em algum lugar à minha frente desse labirinto de feiúra e cobiça"

Eu vi o sol à frente na ponte onde termina a cidade dizendo que tudo o que existe é bom e que o vazio não existe. Vamos correr até que ela fique sem fôlego. Ela correu até não sobrar nada, ela chegou ao fim – E é só o parapeito da janela dela.

Bem, esse lugar é conhecido, tem a imagem de um caminhão batido. Eu ligo o motor, mas o motor não funciona. Cheira a vinho barato e cigarros. Esse lugar está sempre uma bagunça. Às vezes eu acho que gostaria vê-lo em chamas. Estou tão só, e me sinto como uma pessoa diferente...

Cara, eu não mudei, mas sei que não sou o mesmo. Mas em algum lugar no meio dos muros dessa cidade de sonhos mortos, acho que é a morte dela que deve estar me matando.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011


Gente, antes de tudo: Adoro, adoro ela:
Que nada nos limite, que nada nos defina, que nada nos sujeite.
Que a liberdade seja nossa própria substância, já que viver é ser livre. Porque alguém disse e eu concordo, que o tempo cura, que a mágoa passa,
que decepção não mata, e que a vida sempre, sempre continua.
Simone de Beauvoir

O que me moveu a reunir essas ideias hoje, foi uma leitura que fiz. Dizia assim: “aprenda que as únicas pessoas que fariam de tudo por você são aquelas que já te amavam antes mesmo de você nascer”. Imediatamente me lembrei do meu primeiro sobrinho. Porque ele é exatamente isso pra mim – eu tinha quase quatro anos de idade, mas me lembro claramente de ficar hipnotizada quando olhava a barriga da mãe, esperando por ele. E de lá pra cá venho dizendo pra ele e pra todo mundo: eu sempre amei o meu sobrinho, mesmo antes de ele vir me conhecer!

Uma coisa sempre leva à outra. Esse texto é para ele!

Há umas semanas ele me disse assustado que havia sonhado comigo. Sonhou que eu tinha morrido. Por curiosidade e para deixá-lo mais tranqüilo, fui procurar o que aquilo significava e tamanha foi minha surpresa ao encontrar a seguinte definição: “sonhar com a morte não anuncia a morte física em si, só afirma que algo morreu, no sentido de desaparecer. O sonho com a morte quer dizer que algo terminou definitivamente em qualquer aspecto pessoal, profissional, sentimental ou mental da pessoa”.

Contei ao meu sobrinho os vários acontecimentos que estavam me atravessando e ele aliviado: “Então foi isso, o sonho é uma demonstração de como na nossa ligação, eu pressenti em sonho as suas decisões”.

E assim tem estado as coisas desde que tomei essas séries de decisões:

Tá difícil, tô triste, tô magoada, tá foda, tá tudo estranho. Mas, tô aqui, tô de pé! Engraçado como para algumas pessoas é natural procurar nos outros, aquilo que negam nelas. Quando julgam, quando apontam, quando tiram suas conclusões limitadas e pequenas, mas não tem nada não! Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem na verdade a gente é.

Outra coisa que tenho observado é minha pouca paciência. E totalmente sem rodeios digo que tenho pensado que antes ser antipática do que falsa. Afinal, o que é ser simpática? Fingir que gosto de todo mundo? Então, meu caro, se eu não for com a sua cara, não conte com a minha simpatia. Chega de confundir falsidade com educação! Eu sempre digo que não gosto de pessoas simpáticas demais. Pessoas muito fofas me enjoam. Posso ser sincera demais, e ter imagem de grossa. Mas no final, sou mais verdadeira que muitas pessoas à minha volta. Há quem duvide, mas amo todo mundo! Alguns eu amo ter por perto, outros eu amo… evitar, outros eu amo bem longe de mim… E tem aqueles que eu amaria nem ter conhecido.

Eu prefiro as pessoas que conseguem ver o lado claro das coisas, mesmo que todo dia anoiteça. Gente que se abala com os fatos sim, mas que não quer derrubar a estrutura do outro só pra vê-lo no mesmo nível em que estão. Com o tempo a gente aprende que todos têm o ônus e o bônus, mas poucos conseguem carregar dores e doçuras sem despejar em ninguém suas amarguras. Eu ainda acredito mais em sonhadores incuráveis do que em caçadores de mágoas.

Sou pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente. Sou isso hoje... Amanhã, já me reinventei. Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim. Sou complexa, sou mistura...  Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar... Não me dôo pela metade, não sou meio amiga nem quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Sou boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não santa. Sou pessoa de riso fácil...e choro também!
  
Ando mesmo precisando de surpresas... De aventuras, de coisas que me tirem do sério. Eu caminho pela vida desviando do tédio... Adoro as surpresas que a vida me prepara, ela me pega de jeito e é por isso que adoro ela.  Sinto as coisas boas da vida e sorrio :) O Futuro anda me preparando coisas deliciosas...

E pra fechar: A vida é feita de escolhas. Quando dou um passo para frente, alguma coisa fica para trás.

terça-feira, 22 de novembro de 2011


Fiquei o dia todo assistindo filmes e séries em inglês. Tendo estado mergulhada e cercada daquele ambiente, senti uma necessidade de expressar a veia da inspiração na mesma língua naquele dia. Mas hoje, muito mais em contato com a minha própria identidade e língua em carne viva, não tão à minha vontade em contato com tudo aquilo que ainda não entendo, senti que deveria expressar melhor, desenvolver melhor. Dizia eu: sinto cada dia mais o enorme abismo que me separa das pessoas. E isso, entre outras coisas tem produzido em mim um enorme cansaço!
           
Cansaço de achar que quem construiu o abismo fui eu... Estou cansada de fingir que as pessoas são interessantes quando na verdade não são, e não sabem falar de outro assunto que não elas mesmas, cansada das pessoas que acham que são tão importantes que mais nada no mundo as interessa, a não ser elas mesmas. Cansada de fingir um interesse na vida alheia, quando na verdade tudo aquilo me entoja. Cansada de quem acha que tenho que agir como a maioria, como uma vaquinha de presépio e não se percebe que eu tenho vontade própria. Mas mesmo muito cansada de quem assiste esse desfile de mergulhos rasos e aceita como é. Estou cansada do lugar comum, das frases feitas, opiniões rígidas, de gente dura que gosta que sejamos condescendentes com suas fraquezas. Estou cansada dos fracos, dos tolos, dos que tem caráter flexível demais - sempre moldando as coisas conforme seus benefícios. Estou cansada de ser hipócrita, atriz, subserviente a coisas que me ensinaram como certa, mas que nunca concordei, cansada de quem tenta me convencer a ser diferente, a ser menos para me igualar à maioria. Cansada de não fazer parte da multidão, de parar e pensar o tempo inteiro. Cansada de ter um cérebro, cansada de querer desistir, cansada demais para distinguir.

            Mas “se eu fosse a primeira a voltar pra mudar as coisas que fiz, quem então agora eu seria?”...

Cansada da inveja que se camufla em amizades que talvez nunca tenham tido uma existência real. Da inveja que se esconde atrás de uma intenção, de uma desculpa de defender, mas que de boa nada tem, como toda inveja na minha opinião não tem, e me desculpem aqui os defensores da tal “inveja boa”, que é o maior engodo que eu já vi! Cansada de me policiar para não divulgar minhas conquistas, alegrias e prazeres, porque despercebida como eu sou não noto que isso incomoda os outros e muito! Cansada de gente que procura a quem responsabilizar. Pessoas que fogem dos problemas que elas mesmas criaram, das que fazem pouco-caso dos próprios compromissos, perdem prazos e não tem palavra. Cansada de quem acha que merece uma fatia maior do bolo porque conhece “alguém-que-conhece-alguém”. Gente que se acha espertinha e que se aproveita daqueles que não aspiram tanta inteligência assim. Dos favores que os outros acham que devemos. Cansada dos que parabenizam os medíocres e invejam os vencedores, cansada de sorrir para quem só está onde está por razões obscuras. Cansada de não enxergar de onde sai a maldade.

 Cansada de incontáveis “John armless” como diz o Henrique. Que estão presentes nas horas desfrutáveis, mas rapidamente se retiram quando algo os compromete.

Estou cansada de não ser egoísta, de me ferrar por levar tanto os outros em consideração. Muitos desses “outros”, que nem a unha do meu dedão encravado merecem, como diz o Vartinho... De aceitar sem oposição que as coisas caminham de um jeito porque assim tem que ser. Cansada da mediocridade, incompetência e da carência alheia.

Por aqui com as minhas desistências, com a minha preguiça, com todo potencial desperdiçado com todas as desculpas que arrumamos para fazer nada.  Estou exaurida da falta de planos, das coisas que me imobilizam, me prendem, me sufocam. Cansada de me cobrir, de encobrir, de me esconder, de calar, de falar demais, de me desculpar, de me explicar. De ser a primeira “a prever e poder desistir do que for dar errado.”

“Nem nos importamos, de tão cansados que estamos.”

Estou cansada dos cegos, dos surdos e aduladores. Exausta das pessoas que exaltam minhas qualidades como se eu não as conhecesse e me escondem meus defeitos como se eu também não os conhecesse.

            Um cansaço, um peso... Uma distância! Tudo que me soma e que me resulta. E “se o que eu sou é também o que eu escolhi ser, talvez deva aceitar a condição (aceitar com pesar os abismos). Vou levando assim, que o acaso é amigo do meu coração. Quando fala comigo... Quando eu sei ouvir...”

            “As ruas aquecem a urgência do agora. E como eu vejo, não há ninguém por perto...”
Agora não dá pra escrever nada sério... Aguardando para escrever sobre o meu cansaço...

Eu sou uma pessoa lúcida na minha loucura, permanente na minha inconstância, inquieta na minha comodidade.
Amo mais do que posso e por medo, sempre menos do que sou capaz.
Quando me entrego, me atiro e quando recuo, não volto mais!

domingo, 20 de novembro de 2011


Nas minhas humildes palavras:
Foda-se! Eu não sou todo mundo!!!

Agora, respeitosamente, nas de Gil Vicente:

Auto da Lusitânia, Gil Vicente
Todo o Mundo e Ninguém

Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém e diz:

Ninguém: Que andas tu aí buscando?

Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar:
                         delas não posso achar, 
                         porém ando porfiando

                         por quão bom é porfiar. 

Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?

Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo
                         e meu tempo todo inteiro
                         sempre é buscar dinheiro
                         e sempre nisto me fundo.


Ninguém: Eu hei nome Ninguém,
               e busco a consciência.


Belzebu: Esta é boa experiência:
             Dinato, escreve isto bem.


Dinato: Que escreverei, companheiro? 

Belzebu: Que Ninguém busca consciência.
              e Todo o Mundo dinheiro.


Ninguém: E agora que buscas lá? 

Todo o Mundo: Busco honra muito grande.

Ninguém: E eu virtude, que Deus mande
               que tope com ela já.


Belzebu: Outra adição nos acude:
              escreve logo aí, a fundo,
              que busca honra Todo o Mundo
              e Ninguém busca virtude.


Ninguém: Buscas outro mor bem qu'esse?

Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse
                         tudo quanto eu fizesse.


Ninguém: E eu quem me repreendesse
               em cada cousa que errasse.


Belzebu: Escreve mais.

Dinato: Que tens sabido? 

Belzebu: Que quer em extremo grado
              Todo o Mundo ser louvado,
              e Ninguém ser repreendido.


Ninguém: Buscas mais, amigo meu? 

Todo o Mundo: Busco a vida a quem ma dê.

Ninguém: A vida não sei que é,
               a morte conheço eu.


Belzebu: Escreve lá outra sorte.

Dinato: Que sorte? 

Belzebu: Muito garrida:
              Todo o Mundo busca a vida
              e Ninguém conhece a morte.


Todo o Mundo: E mais queria o paraíso,
                         sem mo Ninguém estorvar.


Ninguém: E eu ponho-me a pagar
               quanto devo para isso.


Belzebu: Escreve com muito aviso.

Dinato: Que escreverei?

Belzebu: Escreve
              que Todo o Mundo quer paraíso
              e Ninguém paga o que deve.


Todo o Mundo: Folgo muito d'enganar,
                         e mentir nasceu comigo.


Ninguém: Eu sempre verdade digo
               sem nunca me desviar.


Belzebu: Ora escreve lá, compadre,
              não sejas tu preguiçoso.


Dinato: Quê?

Belzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso,
              E Ninguém diz a verdade.


Ninguém: Que mais buscas?

Todo o Mundo: Lisonjear.

Ninguém: Eu sou todo desengano.

Belzebu: Escreve, ande lá, mano.

Dinato: Que me mandas assentar?

Belzebu: Põe aí mui declarado,
              não te fique no tinteiro:
              Todo o Mundo é lisonjeiro,
              e Ninguém desenganado.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Porra! Você não tem aquela escritora, autora, compositora, enfim, aquele ser iluminado que você lê suas obras e pensa: Cara! Porque eu não escrevi isso?... Sinto do mesmo jeitinho!!! Rs... E os grandes homenageados de hoje são.....
(1):
Acordei hoje com uma nostalgia de ser feliz
Eu nunca fui livre na minha vida inteira
Por dentro eu sempre me persegui
Eu me tornei intolerável para mim mesma
Vivo numa dualidade dilacerante
Eu tenho uma aparente liberdade
Mas estou presa dentro de mim
Clarice Lispector


 
(2):
Esquecer é uma necessidade!
A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito.
Machado de Assis